segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rex Tremendae

Lança em mim um sopro em vão,
que a costurar o céu cerca a terra
e vê-se no fulgor o que se encerra!
e no que finda o que se faz criação.
A trama retoma o novo ciclo, então.
Libélulas voam ao acerto que erra,
onde era tudo certo e nada abismal
um sofisma do mundo que se alitera
que correm as pernas e foge a fera
pronto o cais para a solitária nau.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A névoa

Paira sobre mim a maldição,
um êxtase de dor e alegria;
Uma reencarnação tardia,
eriçada da mais negra escuridão.

Uma névoa metálica se ergueu!
(num fervor, num canto voraz)
De toda raiz pútrida e contumaz,
nasceu a paz que já não nasceu.

As trevas se colidiram com a dor;
Uma maré de agitação se abriu,
como a um sorriso torpe, incolor!

O que não se via, jamais se viu!
Pois da névoa brotou o amor:
Amor às trevas a que tudo cobriu.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O Pesadelo

Penumbra torpe arraigada no vil pensamento!
Sentimento de dor e Morte, no corpo, indolor.
Cujo espectro viajante de beijo frio e sem sabor,
Carrega a carne para o covil do amargamento...

Chamas negras chovem dos olhos desmanchados,
Onde se instalaram as cavernas dum mal perene,
E tanto de maldição se cultiva, no solo indene,
Que tanto nascem cruzes e terços, quanto machados...

Plantações são regadas, a fio, com sangue humano...
Pudores plantados em terreno gélido abrigam, em vão,
Coração dilacerado, Mente dispersa, sorriso profano...

Abrigam, numa pequena caixa, sem um fundo...
O pesadelo que torna o homem sua imperfeição...
Aquele pesadelo, as quais chamaram de mundo...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sou

Sou poesia, mas nela não me faço ser,
sou tolo, sou amante, sou amigo, sou...
sou aquilo que no sangue quente suou...
sou tudo e nada, sou desgosto e sou prazer!

Sou um arrebol fervoroso e a chuva fria,
Sou criação e sou também um criador,
Sou mestre e sou um vil desbravador,
Sou uma tal tristeza que se enche de alegria.

Sou a torre norte e as infinitas constelações,
Sou gêmeo de mim e amante da morte,
Sou o guerreiro escarlate das íntimas canções,

Sou fraco que de fraquezas mil se torna forte,
Sou alado, sou anil, sou as eternas divagações,
Sou tudo e tudo nada nos castelos da sorte.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Encantamento!

Não bastassem os dias incomuns
as noites frias de verão à assolar,
os pássaros únicos a cantarolar,
e a dança caótica no mar dos atuns.

Não bastassem as rosas vermelhas,

o fulgor único do terreno cinza-vil,
o céu com seu brilhante azul anil,
e as flores completadas por abelhas.

Não bastassem estas situações,

estes contrastes que nos foi dado,
o mundo continuaria sendo alado,

sob forte chuva ou até mesmo trovões,

ou ainda que outras fossem as tradições,
tudo continuaria sendo encantado.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

SoulFly

Sol em terra ardente, afogado em mar anil,
nasça, nasça voltando olhos ígneos a mim,
dá-me latente ardor em tecido de sutil cetim,
para deitar-me pálido sob o esquecido abril.

Quisera vós fazer de mim seu pecador,
sua alma andante, seu medo, sua crueldade,
obstruindo esta alma pueril em insanidade,
para sentir em minha pele seca seu calor.

Mas, hei de surgir negro sob a luz da lua virginal,
e tirar-me-ei de seus olhos bramidos a morrer,
esperando a lua amante única de meu amor banal,

Que consumir-me-á sentindo seu ego puro corroer,
pois consumirá alguém que deu se lhe corpo venal,
e na prematura morte a lua do amor vil irá beber.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Perdição

Andante oculto em afãs fenecidos,
Donde os pés envoltos em mar,
Saboreavam o mareado andar,
dos passos que iam esquecidos.

Se de feras o sol ofusca sumido,
Um lume encalda o algido temor,
que se de perda a vida carece a dor,
então de dor o mundo se tem perdido.

Perdido se-lhe-á aquele suspiro ardil,
o vulto que lhe cobre a maculada mente,
proprio do terror que lhe semeia o vil,

quando está sob o pesar do que sente,
vai-se além do seu pecado cruel, pueril,
encontrar-se perdido na solidão ardente.