quarta-feira, 30 de maio de 2012

Escuridão

Rondas meus pensamentos,
            tristezas tolas e vãs.
Assola a alma impiedosa,
Assola os cantos da natureza.

Andas, solicita e caridosa,
       pelos becos imundos.
Beija à boca já ofegante,
dá o braço com maestria.

Sempre presente, dia ou noite;
     Busca o que tem, o que dá.
Ai de mim em teus braços deitar.
Não hei levantar, não hei, não hei.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Única verdade

Sob teu regaço,
minha aura se lança...
e vingo-me da vingança
perdendo o teu compasso.

Temo a lembrança
que me cai dos braços,
quando da bonança
não restam os laços.

Vago no céu teu de perdido,
enquanto (...) soa a trombeta,
e não basta a vontade

de querer estar esquecido
quando de tua pura faceta
sou a única verdade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rex Tremendae

Lança em mim um sopro em vão,
que a costurar o céu cerca a terra
e vê-se no fulgor o que se encerra!
e no que finda o que se faz criação.
A trama retoma o novo ciclo, então.
Libélulas voam ao acerto que erra,
onde era tudo certo e nada abismal
um sofisma do mundo que se alitera
que correm as pernas e foge a fera
pronto o cais para a solitária nau.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A névoa

Paira sobre mim a maldição,
um êxtase de dor e alegria;
Uma reencarnação tardia,
eriçada da mais negra escuridão.

Uma névoa metálica se ergueu!
(num fervor, num canto voraz)
De toda raiz pútrida e contumaz,
nasceu a paz que já não nasceu.

As trevas se colidiram com a dor;
Uma maré de agitação se abriu,
como a um sorriso torpe, incolor!

O que não se via, jamais se viu!
Pois da névoa brotou o amor:
Amor às trevas a que tudo cobriu.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O Pesadelo

Penumbra torpe arraigada no vil pensamento!
Sentimento de dor e Morte, no corpo, indolor.
Cujo espectro viajante de beijo frio e sem sabor,
Carrega a carne para o covil do amargamento...

Chamas negras chovem dos olhos desmanchados,
Onde se instalaram as cavernas dum mal perene,
E tanto de maldição se cultiva, no solo indene,
Que tanto nascem cruzes e terços, quanto machados...

Plantações são regadas, a fio, com sangue humano...
Pudores plantados em terreno gélido abrigam, em vão,
Coração dilacerado, Mente dispersa, sorriso profano...

Abrigam, numa pequena caixa, sem um fundo...
O pesadelo que torna o homem sua imperfeição...
Aquele pesadelo, as quais chamaram de mundo...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sou

Sou poesia, mas nela não me faço ser,
sou tolo, sou amante, sou amigo, sou...
sou aquilo que no sangue quente suou...
sou tudo e nada, sou desgosto e sou prazer!

Sou um arrebol fervoroso e a chuva fria,
Sou criação e sou também um criador,
Sou mestre e sou um vil desbravador,
Sou uma tal tristeza que se enche de alegria.

Sou a torre norte e as infinitas constelações,
Sou gêmeo de mim e amante da morte,
Sou o guerreiro escarlate das íntimas canções,

Sou fraco que de fraquezas mil se torna forte,
Sou alado, sou anil, sou as eternas divagações,
Sou tudo e tudo nada nos castelos da sorte.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Encantamento!

Não bastassem os dias incomuns
as noites frias de verão à assolar,
os pássaros únicos a cantarolar,
e a dança caótica no mar dos atuns.

Não bastassem as rosas vermelhas,

o fulgor único do terreno cinza-vil,
o céu com seu brilhante azul anil,
e as flores completadas por abelhas.

Não bastassem estas situações,

estes contrastes que nos foi dado,
o mundo continuaria sendo alado,

sob forte chuva ou até mesmo trovões,

ou ainda que outras fossem as tradições,
tudo continuaria sendo encantado.